segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

Há uma coisa em ti que me desarma


Há uma coisa em ti que me desarma: é o momento que dizes ”temos de falar”. Nem tudo tem de ser discutido ou falado ou explicado. Não que não o possa ser, mas porque eu não o quero, não preciso de desfazer o meu coração em mil pedaços de lamentação, dói-me falar, explicar, às vezes (e tantas) porque tu tens razão.
Ás vezes não quero falar, só quero sentar-me e chorar á tua frente. Porque estou apaixonada por ti. É esta a minha maneira de ultrapassar as coisas. Às vezes preciso só de ficar a olhar fixamente para ti e tentar entender, mesmo que acabe por não entender nada, mesmo que fique só com a minha percepção das coisas. E é assim porque te amo. Fico com sentimento de vergonha, sinto que estrago, que mutilo, que desgasto e … mais uma vez… arrependo-me…
Nem tudo pode ser explicado e discutido, especialmente quando há sentimentos á mistura, quando há amor e dor ao mesmo tempo. E quando o faço quero tanto ultrapassar isto quanto tu que queres falar e pedir-me uma explicação.
Ás vezes necessito de ir fumar um cigarro, olhar sozinha as estrelas e depois voltar para os teus braços, tentando não falar mais do assunto, de mais nada, não falar!
Não quero falar do assunto, não quero conversar, só me apetece desculpar-me a chorar agarrada a ti.
É esta a minha maneira de te pedir desculpa

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009

Vou-te explicar!


Amor, vou tentar hoje elucidar-te porque insistes em considerar que passa tanto tempo à minha espera.
Deve-se ao facto que este é um tempo de verdadeira introspecção, muito cuidado, serenidade e atenção!
Esperas muito porque este tempo se divide essencialmente em seis passos distintos:

1- Banho: Repara que tenho o cabelo bem mais comprido que o teu e que, por isso, requer cuidados especializados. Isto requer uma passagem de champô, uma de amaciador que tem de ser deixar a actuar 3 minutos pelo menos, depois aplica-se o creme reestruturante, que dá corpo e brilho e que tem de ficar a actuar pelo menos durante 5 minutos.

2- Cremes: Há um para o corpo, outro para a cara e outro para a zona dos olhos, que para quem não sabia, é bem mais sensível que as restantes zonas da face e requer cuidados individualizados.

3- Roupa: A Lingerie tem de ser escolhida com cuidado, não pode ver-se através do top, não pode ser mais alta que o cós das calças, e ao mesmo tempo tem de ser sexy e condizer entre si.
A seguir as calças e o top. Têm de ser conjugados entre si.
Depois os sapatos e o cinto e a mala. Têm de condizer entre si, e não podem chocar com a roupa escolhida.

4- Cabelo: Regresso depois à casa de banho: É hora de secar o cabelo, que ficou enrolado à toalha, à espera de ficar apenas húmido e não molhado. Seco o cabelo, com cuidado, porque o cabelo quando é comprido pode estragar-se com mais facilidade que o cabelo curto e facilmente o secador o espigar.

5- Acessórios: É hora agora de escolher os acessórios: brincos, colares e/ou anéis, todos a condizer entre si, conjugados com a roupa que trago vestida e com os sapatos, cinto e a mala e ainda com a forma como penteei o cabelo.
Sim, porque se está apanhado notam-se mais os acessórios do que com o cabelo caído nos ombros, e há que ter isto em atenção, se não arrisco a assemelhar-me a uma árvore de Natal.

6-Maquilhagem: Amor, a maquilhagem é uma coisa complexa, acredita! Só para pintar os olhos há que dividir virtualmente a pálpebra em quatro. Pinta-se inicialmente com uma cor mais clara do que a cor que vamos usar como sombra, de base, apenas para dar brilho e "abrir" o olho os dois quadrados superiores da nossa divisão. Depois o quadrado inferior esquerdo, mais perto do fim do olho, é pintado com o dedo indicador e com a sombra escolhida. No quadrado interno inferior, á direita de quem olha de frente passamos com o dedo que pintou o resto do olho e que está ainda sujo da sombra, de modo a fazer a cor ficar uniforme, ainda que mais velada do que no quadrado imediatamente ao lado. E dá-te por muito feliz que tenho jeito para a coisa, faço com prática e as amigas pedem-me para reproduzir nelas, senão, ainda mais tempo…

Agora é só escolher o casaco e conjugá-lo com as calças, o top, os sapatos a mala, o cinto, os acessórios, a maquilhagem e o cabelo. Simples, certo?
Agora vê neste prisma: Se a maioria dos homens tivessem de fazer tudo isto demorariam cerca de 5/6 horas e o resultado não seria tão satisfatório como o nosso aspecto final...
Agora aceita, tem paciência, não refiles e aproveita o tempo que estás à minha espera, e vai simplesmente comprar-me uma flor. Ah, já agora, aproveita também para me elogiares já que depois deste trabalho todo, talvez não seja pedir muito!

Ouve-se O Mar








Agora
Que a chuva cai devagar
Lá fora
E a noite vem devorar
O sol
E tudo fica em silêncio
Na rua
E ao fundo
Ouve-se o mar

Agora
Talvez te possas perder
Devora
O que a saudade te der
A vida
Leva pra longe pedaços
Do tempo
Deixa o sabor de um regaço
E ao fundo
Ouve-se o mar

Agora
Que a água inunda os teus olhos
E o mundo
Já não te deixa parar
No escuro
Voltam as estórias perdidas
Na alma
Onde não podes tocar
E ao fundo
Ouve-se o mar

(Mafalda Veiga)

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

Sitios mágicos




Este é, sem dúvida, um local a voltar, daqui a muitos anos, quem sabe celebrando algo, relembrando algo, procurando algo ou, quem sabe, simplesmente olhar... Um dia...

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

terça-feira, 5 de agosto de 2008

Como tudo muda em 30 anos


Situação: O Pedro está a pensar ir até ao monte depois das aulas, assim que
entra no colégio mostra uma navalha ao João, com a qual espera poder fazer
uma fisga.

Ano 1978: O director da escola vê, pergunta-lhe onde se vendem, mostra-lhe a
sua, que é mais antiga, mas que também é boa.
Ano 2008: A escola é encerrada, chamam a Polícia Judiciária e levam o Pedro
para um reformatório. A SIC e a TVI apresentam os telejornais desde a porta
da escola.

Situação: O Jaime não pára quieto nas aulas, interrompe e incomoda os
colegas.

Ano 1978: Mandam o Jaime ir falar com o Director, e este dá-lhe uma bronca
de todo o tamanho. O Jaime volta à aula, senta-se em silêncio e não
interrompe mais.
Ano 2008: Administram ao Jaime umas valentes doses de Ritalin. O Jaime
parece um Zombie. A escola recebe um apoio financeiro por terem um aluno
incapacitado.

Situação: Um menino branco e um menino negro andam à batatada por um ter
chamado "chocolate" ao outro.

Ano 1978: Depois de uns socos esquivos, levantam-se e cada um para sua casa.
Amanhã são colegas.
Ano 2008: A TVI envia os seus melhores correspondentes. A SIC prepara uma
grande reportagem dessas com investigadores que passaram dias no colégio a
averiguar factos. Emitem-se programas documentários sobre jovens
problemáticos e ódio racial. A juventude Skinhead finge revolucionar-se a
respeito disto. O governo oferece um apartamento à família do miúdo negro.

Situação: Tens amigos
Ano 1978: Depois do trabalho, vão para umas jantaradas, vão beber uns copos, bejecas e tremoço no fim de uma tarde de verão, grandes bezanas e asneiradas de que se lembrarão para o resto da vida.
Ano 2008: Depois do trabalho, fecham-se em casa, pijama e chinelinhos, "falam" no messenger, sabem da vida uns dos outros e de outros 2000 amigos que nunca viram pelos perfis de Hi5, enquanto dão uns toques no Pro Evolution Soccer ou vêm a última série do House ou do Lost

Realmente... Tudo era mais saudável há 30 anos atrás...

Elogio ao amor


'Quero fazer o elogio do amor puro. Parece-me que já ninguém se apaixona de verdade. Já ninguém quer viver um amor impossível. Já ninguém aceita amar sem uma razão. Hoje as pessoas apaixonam-se por uma questão de prática. Porque dá jeito.

Porque são colegas e estão ali mesmo ao lado. Porque se dão bem e não se chateiam muito. Porque faz sentido. Porque é mais barato, por causa da casa. Por causa da cama. Por causa das cuecas e das calças e das contas da lavandaria. Hoje em dia as pessoas fazem contratos pré-nupciais, discutem tudo de antemão, fazem planos e à mínima merdinha entram logo em 'diálogo'. O amor passou a ser passível de ser combinado. Os amantes tornaram-se sócios. Reúnem-se, discutem problemas, tomam decisões. O amor transformou-se numa variante psico-sócio-bio-ecológica de camaradagem. A paixão, que devia ser desmedida, é na medida do possível. O amor tornou-se uma questão prática. O resultado é que as pessoas, em vez de se apaixonarem de verdade, ficam 'praticamente' apaixonadas. Eu quero fazer o elogio do amor puro, do amor cego, do amor estúpido, do amor doente, do único amor verdadeiro que há, estou farto de conversas, farto de compreensões, farto de conveniências de serviço. Nunca vi namorados tão embrutecidos, tão cobardes e tão comodistas como os de hoje. Incapazes de um gesto largo, de correr um risco, de um rasgo de ousadia, são uma raça de telefoneiros e capangas de cantina, malta do 'tá tudo bem, tudo bem', tomadores de bicas, alcançadores de compromissos, bananóides, borra-botas, matadores do romance, romanticidas. Já ninguém se apaixona? Já ninguém aceita a paixão pura, a saudade sem fim, a tristeza, o desequilíbrio, o medo, o custo, o amor, a doença que é como um cancro a comer-nos o coração e que nos canta no peito ao mesmo tempo? O amor é uma coisa, a vida é outra. O amor não é para ser uma ajudinha. Não é para ser o alívio, o repouso, o intervalo, a pancadinha nas costas, a pausa que refresca, o pronto-socorro da tortuosa estrada da vida, o nosso 'dá lá um jeitinho sentimental'. Odeio esta mania contemporânea por sopas e descanso. Odeio os novos casalinhos. Para onde quer que se olhe, já não se vê romance, gritaria, maluquice, facada, abraços, flores. O amor fechou a loja. Foi trespassada ao pessoal da pantufa e da serenidade. Amor é amor. É essa beleza. É esse perigo.

Texto de Miguel Esteves Cardoso, chama-se 'Elogio ao amor'.