terça-feira, 5 de agosto de 2008

Como tudo muda em 30 anos


Situação: O Pedro está a pensar ir até ao monte depois das aulas, assim que
entra no colégio mostra uma navalha ao João, com a qual espera poder fazer
uma fisga.

Ano 1978: O director da escola vê, pergunta-lhe onde se vendem, mostra-lhe a
sua, que é mais antiga, mas que também é boa.
Ano 2008: A escola é encerrada, chamam a Polícia Judiciária e levam o Pedro
para um reformatório. A SIC e a TVI apresentam os telejornais desde a porta
da escola.

Situação: O Jaime não pára quieto nas aulas, interrompe e incomoda os
colegas.

Ano 1978: Mandam o Jaime ir falar com o Director, e este dá-lhe uma bronca
de todo o tamanho. O Jaime volta à aula, senta-se em silêncio e não
interrompe mais.
Ano 2008: Administram ao Jaime umas valentes doses de Ritalin. O Jaime
parece um Zombie. A escola recebe um apoio financeiro por terem um aluno
incapacitado.

Situação: Um menino branco e um menino negro andam à batatada por um ter
chamado "chocolate" ao outro.

Ano 1978: Depois de uns socos esquivos, levantam-se e cada um para sua casa.
Amanhã são colegas.
Ano 2008: A TVI envia os seus melhores correspondentes. A SIC prepara uma
grande reportagem dessas com investigadores que passaram dias no colégio a
averiguar factos. Emitem-se programas documentários sobre jovens
problemáticos e ódio racial. A juventude Skinhead finge revolucionar-se a
respeito disto. O governo oferece um apartamento à família do miúdo negro.

Situação: Tens amigos
Ano 1978: Depois do trabalho, vão para umas jantaradas, vão beber uns copos, bejecas e tremoço no fim de uma tarde de verão, grandes bezanas e asneiradas de que se lembrarão para o resto da vida.
Ano 2008: Depois do trabalho, fecham-se em casa, pijama e chinelinhos, "falam" no messenger, sabem da vida uns dos outros e de outros 2000 amigos que nunca viram pelos perfis de Hi5, enquanto dão uns toques no Pro Evolution Soccer ou vêm a última série do House ou do Lost

Realmente... Tudo era mais saudável há 30 anos atrás...

Elogio ao amor


'Quero fazer o elogio do amor puro. Parece-me que já ninguém se apaixona de verdade. Já ninguém quer viver um amor impossível. Já ninguém aceita amar sem uma razão. Hoje as pessoas apaixonam-se por uma questão de prática. Porque dá jeito.

Porque são colegas e estão ali mesmo ao lado. Porque se dão bem e não se chateiam muito. Porque faz sentido. Porque é mais barato, por causa da casa. Por causa da cama. Por causa das cuecas e das calças e das contas da lavandaria. Hoje em dia as pessoas fazem contratos pré-nupciais, discutem tudo de antemão, fazem planos e à mínima merdinha entram logo em 'diálogo'. O amor passou a ser passível de ser combinado. Os amantes tornaram-se sócios. Reúnem-se, discutem problemas, tomam decisões. O amor transformou-se numa variante psico-sócio-bio-ecológica de camaradagem. A paixão, que devia ser desmedida, é na medida do possível. O amor tornou-se uma questão prática. O resultado é que as pessoas, em vez de se apaixonarem de verdade, ficam 'praticamente' apaixonadas. Eu quero fazer o elogio do amor puro, do amor cego, do amor estúpido, do amor doente, do único amor verdadeiro que há, estou farto de conversas, farto de compreensões, farto de conveniências de serviço. Nunca vi namorados tão embrutecidos, tão cobardes e tão comodistas como os de hoje. Incapazes de um gesto largo, de correr um risco, de um rasgo de ousadia, são uma raça de telefoneiros e capangas de cantina, malta do 'tá tudo bem, tudo bem', tomadores de bicas, alcançadores de compromissos, bananóides, borra-botas, matadores do romance, romanticidas. Já ninguém se apaixona? Já ninguém aceita a paixão pura, a saudade sem fim, a tristeza, o desequilíbrio, o medo, o custo, o amor, a doença que é como um cancro a comer-nos o coração e que nos canta no peito ao mesmo tempo? O amor é uma coisa, a vida é outra. O amor não é para ser uma ajudinha. Não é para ser o alívio, o repouso, o intervalo, a pancadinha nas costas, a pausa que refresca, o pronto-socorro da tortuosa estrada da vida, o nosso 'dá lá um jeitinho sentimental'. Odeio esta mania contemporânea por sopas e descanso. Odeio os novos casalinhos. Para onde quer que se olhe, já não se vê romance, gritaria, maluquice, facada, abraços, flores. O amor fechou a loja. Foi trespassada ao pessoal da pantufa e da serenidade. Amor é amor. É essa beleza. É esse perigo.

Texto de Miguel Esteves Cardoso, chama-se 'Elogio ao amor'.

quinta-feira, 11 de outubro de 2007

Encontar o ideal


Encontra o homem que te chama gira, em vez de boa...
Que te telefona de novo quando lhe desligas o telefone na cara...
Que fica acordado só para te ver dormir... Espera pelo homem que beija a tua
testa...
Que fica de mãos dadas contigo a frente dos amigos...
Espera pelo homem que te esta constantemente a lembrar o quanto significas
para ele...e da sorte que ele tem em te ter...
Espera por aquele que se vira para os amigos e diz...'É aquela...'

quarta-feira, 10 de outubro de 2007

Recordações de Infância

Ja falei muitas vezes com orgulho e muita saudade da minha infância, tendo sido esta um motivo de orgulho para mim e gratidão aquem ma proporcionou. Talvez porque me marcou tanto e me deixa com uma lágrima de saudade cada vez que me recordo dos momentos felizes que tive. Pois é, ao vasculhar o youtube, lá fui eu descobrir tesourinhos (este não deprimentes) que me relembram das tardes a fio passadas a ouvir os discos dos Onda Choc e dos Ministars (que eu não gostava tanto mas, que a minha mãe insistia constantemente em mos ofertar em épocas festivas). Também me recordo e ouvia os Discos de Vinil dos Ministars, mas os Onda Choc... Estes eram "mais à frente" para a época, eles é que a sabiam toda e compreendiam os meus desgostos de amor, esses vestiam coisas mais modernas e arrojadas que, a minha mãe nunca na vida me proporcionava vestir. Eles usavam calças pretas, peças encarnadas e roxas, rosa-choc e amarelo fluorescente... Eram mais radicais, mais "fixes" do que os outros que marcavam por serem vestidos pela "Cenoura" com laranjas, azuis e verdes- "bebé". Ora uma miuda queria era ser "cool", roupa da Cenoura era o meu guarda-fato todo, ora bolas... Aqueles é que eram "baris"!!!
Que saudades de saber de cor as letras das musicas deles e sonhar fazer parte do grupo e de juntar amigas na minha casa, encenar uma coreografia e cantar as musicas em playback!
Ai,ai, que saudades, que bom recordar!

terça-feira, 9 de outubro de 2007

Mulheres fortes e frágeis.


Epá, como deve ser boa a vida das mulheres frágeis; elas têem sempre alguém que lhes carregue os embrulhos, troque o pneu do carro, lhes abra a porta do automóvel e por aí fora. As fortes fazem tudo sozinhas, e são sempre chamadas nas horas do aperto: elas aguentam qualquer coisa, e são tão fortes que se metem até mesmo onde não são chamadas, para ajudar a resolver os problemas dos outros.É dura a vida das fortes, que não são poupadas de nada. Se alguém está com uma doença grave, é a elas que vão contar; se a namorada do sobrinho ficou grávida, são as primeiras a saber, e quando alguém da família é preso por posse de droga, são imediatamente chamadas para as providências de praxe... fora os problemas financeiros, é claro.
Enquanto isso, as frágeis são poupadas... elas não iam aguentar um choque desses e precisam repousar, porque são frágeis, coitadas. Existe sempre alguém para cuidar das frágeis, quer seja um parente, um amigo, até um vizinho, que bate à porta preocupado com o silêncio e para saber se ela está a precisar de alguma coisa.
Uma mulher frágil é mais frágil que um bebé, e como os homens adoram o papel de protectores para se sentirem fortes e poderosos, é a união perfeita da fome com a vontade de comer. Quando elas ficam doentes, um verdadeiro exército é mobilizado; um leva revistas, o outro um embrulhinho com frutas, flores e chocolates, e se ela não tiver empregada não falta quem vá para a cozinha fazer uma canjinha.
Alguma atenção para se perceber que essas mulheres frágeis são indestrutíveis. As fortes, na hora de uma crise de coluna, arrastam-se até à cozinha para beber um copo de água, e até se alimentam o fim de semana inteiro com uma banana, pois ninguém telefona para saber se precisam de alguma coisa.

Somos todas estimuladas a ser fortes, mas a boa vida levam as frágeis, daí a dúvida: não seria melhor que as mães, os pais e as ensinassem as crianças a serem frágeis, pois sempre haverá alguém para cuidar delas pela vida toda?
E aliás, qual é a vantagem de ser forte, além de saber que um dia alguém se referiu a ela dizendo "aquela é uma mulher forte"? É grande elogio, é verdade. Mas e então? Todas as mulheres fortes tem desejos secretos que não conta nem ao seu travesseiro: que alguém, e não é preciso que seja um homem faça um gesto por ela, de vez em quando. Nada de muito importante...

Ontem a "minha sobrinha" fez anos


Ontem a minha sobrinha fez anos, balança de gema, revi-me tanto nela...Já tinha reparado em tantas coisas em comum que temos, pequenas coisas que me fazem recordar o meu passado. Lembrei-me do gosto que a minha familia tinha, e ainda tem, em preparar-me surpresas no meu aniversário e a simplicidade com que eu as desfrutava. Ela fez-me lembrar o mundo feminino e cor-de-rosa no qual eu também vivi, dia mágigo da chegada de mais uma primavera, o conforto do amor e da amizade de quem nos rodeia num dia especial para nós. Revi-me, recordei, enternecí-me.
Lembrei-me de quanto é bom disfrutar da presença de quem nos quer bem, nos ama incondicionalmente, de quem está connosco sempre nos bons e até nos maus momentos mas, sobretudo, fez-me recordar a sorte que, também eu tive, na minha infância, de me sentir amada, lembrada e querida entre os meus. Senti que foi uma infancia feliz e quanto eu gostava que todos pudessem chegar quase aos 30 anos, olhassem para trás e pudessem recordar o mesmo que eu. Espero um dia poder proporcionar a mesma alegria aos meus filhos que os meus pais me proporcionaram, os meus avós e toda a restante familia e um dia, assim como eu, pudessem recordar os seus dias de anos e a sua infancia tão feliz... tal como eu.

O livro da minha vida (pelo menos até agora...)


"De amor e de sombra"

A história tem origem num encontro casual entre Irene, uma jovem da aristocracia chilena, e Francisco, filho de um professor anarquista. A partir de uma reportagem rotineira, um mundo estranho , oculto pela história oficial, vai-se-lhes revelando, fazendo-os sentir responsáveis perante os factos cruéis que se sucedem. E nas sombras do poder e do abuso, cada vez mais pressionados pelas injustiças e pelo ódio, que o amor de Irene e Francisco se desenvolve, como força contrária. Situações reais e situações imaginárias... como num canto de amor para a libertação de " uma existência vulgar ".